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Correspondente bancário x financeira: como descobrir quem está oferecendo seu empréstimo e quem é o credor

Promotoras, lojas e agentes que oferecem crédito costumam ser correspondentes bancários, e não o credor. Veja como identificar quem está oferecendo o empréstimo, quem empresta de fato e o que cada um pode fazer.

Quem oferece o empréstimo nem sempre é quem empresta o dinheiro. Promotoras de crédito, lojas, plataformas e agentes costumam atuar como correspondentes bancários, contratados por um banco ou financeira para atender clientes e encaminhar propostas, enquanto o credor é a instituição autorizada pelo Banco Central cujo nome aparece no contrato. Para saber com quem você está lidando, pergunte qual instituição o correspondente representa, confira essa instituição no Banco Central e verifique se o contrato sai no nome dela.

Saber quem é quem evita golpes, ajuda a reclamar no lugar certo e mostra o que cada um pode ou não pode cobrar.

Quem é quem em uma oferta de empréstimo

Quem O que faz É o credor?
Banco, financeira, cooperativa ou fintech de crédito autorizada Analisa, aprova, empresta o dinheiro e cobra as parcelas Sim
Correspondente bancário (promotora, loja, plataforma) Divulga, recebe documentos, encaminha a proposta Não
Subcontratado do correspondente (agente, vendedor) Atende em nome do correspondente Não
Pessoa física que oferece crédito por conta própria Atividade irregular se feita de forma profissional Não deveria ser

Os correspondentes são regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central. A instituição financeira que os contrata responde pelos serviços prestados em seu nome.

O que o correspondente pode e não pode fazer

Pode:

  • divulgar produtos da instituição que representa;
  • receber e conferir documentos;
  • encaminhar propostas para análise;
  • orientar sobre o andamento do pedido.

Não pode:

  • aprovar o crédito por conta própria: a decisão é da instituição;
  • cobrar tarifa, taxa ou "comissão" do cliente para encaminhar ou liberar o empréstimo;
  • emitir o contrato em nome próprio;
  • receber as parcelas em conta pessoal.

Se um correspondente pedir dinheiro para "liberar", "aprovar" ou "agilizar", trate como golpe.

Como descobrir quem está oferecendo o empréstimo

1. Peça a identificação completa

Pergunte o nome empresarial e o CNPJ de quem está atendendo. Desconfie de quem se apresenta só por um nome fantasia, um perfil de rede social ou um número de WhatsApp.

2. Confira o CNPJ na Receita Federal

No site da Receita Federal (gov.br), veja se o CNPJ está ativo, se a razão social bate com a apresentada e se a atividade é compatível com serviços financeiros ou correspondência bancária. Empresas abertas há poucos dias, com nomes chamativos, pedem cuidado extra.

3. Pergunte qual instituição ele representa

Um correspondente legítimo sabe dizer, sem rodeios, para qual banco ou financeira trabalha. Se a resposta for vaga ("trabalhamos com vários bancos" sem citar nomes), peça o nome da instituição que vai constar no seu contrato.

Como descobrir quem é o credor

  1. Consulte a instituição no Banco Central. Em bcb.gov.br há uma ferramenta pública para pesquisar instituições autorizadas. Busque pelo CNPJ, que é mais seguro do que pelo nome, porque golpistas usam nomes quase idênticos aos de empresas reais.
  2. Confirme o vínculo no canal oficial da instituição. Ligue para o SAC do banco ou da financeira, com o número do site oficial, e pergunte se a empresa que atendeu você é correspondente dela.
  3. Leia o contrato. A cédula de crédito bancário deve trazer o nome e o CNPJ da instituição credora, o CET e as condições. O correspondente aparece, quando aparece, apenas como intermediário.
  4. Confira para onde vão os pagamentos. Parcelas são pagas por desconto em folha, débito ou boleto emitido em nome do credor, nunca por Pix para pessoa física ou para o CNPJ do intermediário.

Depois de contratado, o empréstimo também aparece no relatório do Registrato do Banco Central em nome da instituição credora. Saiba como ler esse relatório no guia sobre SCR e Registrato.

Situações comuns e como interpretar

  • Promotora de consignado que liga oferecendo "margem liberada": pode ser correspondente legítimo, mas confirme a instituição e nunca passe senhas ou códigos. Contato não solicitado é a porta de entrada de muitos golpes no consignado.
  • Loja que oferece crédito no caixa: em geral atua como correspondente de uma financeira. O contrato é com a financeira, e é com ela que você negocia, faz portabilidade ou quita.
  • Plataforma que compara ofertas: pode encaminhar você a várias instituições. Confira qual delas emitiu o contrato que você assinou.
  • Pessoa que oferece empréstimo "com dinheiro próprio" por mensagem: não é instituição autorizada. Não envie documentos nem faça pagamentos.

Onde reclamar em cada caso

  • Problema com o atendimento do correspondente: reclame na instituição que ele representa, que é responsável por ele, e também no consumidor.gov.br ou no Procon.
  • Problema com o contrato, as parcelas ou a cobrança: SAC e ouvidoria do credor e, se não resolver, Banco Central, consumidor.gov.br ou Procon.

Antes de fechar, vale também checar o histórico de reclamações, como mostramos no guia sobre reputação da empresa de empréstimo.

Resumo

Correspondente bancário oferece e encaminha; a instituição financeira autorizada empresta e cobra. Peça o CNPJ de quem atende, descubra qual instituição está por trás, confira essa instituição no Banco Central e verifique se o contrato sai no nome dela. Nenhum dos dois pode cobrar para liberar o crédito.

Perguntas frequentes

O que é correspondente bancário no empréstimo?

É uma empresa contratada por um banco ou financeira para divulgar produtos, receber documentos e encaminhar propostas. Ele não é o credor: a análise, a aprovação e o contrato são da instituição financeira que ele representa.

O correspondente bancário pode cobrar taxa do cliente?

Não. O correspondente não pode cobrar do cliente para encaminhar ou liberar o empréstimo. Pedido de pagamento antecipado é sinal de golpe.

Como sei qual é o banco por trás da promotora de crédito?

Pergunte o nome e o CNPJ da instituição que vai emitir o contrato, confira essa instituição no site do Banco Central e confirme o vínculo ligando para o SAC oficial dela. O nome do credor também precisa constar na cédula de crédito.

Se o correspondente me atendeu mal, de quem eu reclamo?

Da instituição financeira que ele representa, que responde pelos serviços prestados em seu nome. Você também pode registrar reclamação no consumidor.gov.br, no Procon e no Banco Central.

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